A Bienal de Arte e Cultura da Guiné-Bissau — MoacBis apresenta a Comissão de Honra da sua 2ª edição, reunindo um conjunto de personalidades de reconhecido mérito nas áreas da cultura, pensamento, investigação e criação.

Composta por escritores, investigadores, economistas, artistas e profissionais de diferentes geografias, a Comissão de Honra reflete a dimensão plural e transdisciplinar que orienta a Bienal. Os seus percursos e contributos, marcados por experiências diversas, acrescentam valor crítico e simbólico a este encontro internacional.

Mais do que uma instância representativa, a Comissão de Honra afirma-se como um espaço de convergência de visões e sensibilidades, contribuindo para o fortalecimento do posicionamento da Bienal enquanto plataforma de diálogo, reflexão e produção cultural contemporânea.

Ao integrar vozes provenientes de diferentes contextos, a Bienal MoacBis reforça o seu compromisso com a construção de pontes entre territórios, saberes e práticas, promovendo a cultura como ferramenta de pensamento e transformação social.

Fundação Bienal MoAC Biss

Mário Pinto de Andrade foi uma das principais figuras das lutas pelas independências dos países africanos colonizados por Portugal. Com um percurso político e cultural notável, marcado por um compromisso revolucionário pan-africano que ultrapassava as fronteiras de Angola, país em que nasceu, publicou obras seminais sobre a cultura, a literatura e a história política da época de que foi um dos principais protagonistas.

A articulação entre luta política e criação cultural é central na sua obra. Como escreveu, em 1966, “No clamor das armas que, nos nossos dias, rasgam a secular noite colonial, jovens poetas militam no próprio coração das matas. Realizam a necessária síntese entre o engajamento político e a necessidade inelutável de dizer o verdadeiro, o justo, o belo.”

Deste modo, antecedendo a celebração do centenário do nascimento desta figura maior da “Geração de Cabral”, a Casa da Cultura da Guiné-Bissau (CCGB), a Associação de Amigos de Mário Pinto de Andrade e Sarah Maldoror, o Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC), a Fundação Bienal MoAC Biss e o Centro de Estudos Internacionais-ISCTE unem-se para coorganizar um Colóquio de evocação do seu legado cultural e político, no espírito da intersecção entre cultura e política que sempre defendeu.

DETALHES IMPORTANTES:

Evento: Colóquio sobre o Legado Cultural e Político de Mário Pinto de Andrade

Objectivo Geral: proporcionar um espaço de reflexão em torno do legado cultural e político de Mário Pinto de Andrade, através de releituras das suas obras e de análises críticas do seu percurso enquanto militante revolucionário, com papel determinante no combate ao colonialismo português em África.

Datas: 25, 28, 29 e 30 de Maio de 2026

Locais: Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC), Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) e MBONGI 67 (Lisboa, Portugal)

Conferência de abertura: Jean-Michel Mabeko Tali (Universidade de Howard, Estados Unidos da América) | Conferência de encerramento: Inocência Mata (Faculdade de Letras e Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa)

Apoios: Maison des Mondes Africains, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Mbongi 67 …

No dia 11 de maio realiza-se, em Bissau, o Lançamento da segunda edição da BIENAL de Arte e Cultura da Guiné-Bissau – MoAC Biss 2027. Nesta edição cujo lema é DJIDIUNDADI – INTEMPORALIDADE E UTOPIAS propõe-se uma reflexão profunda sobre o papel do artista (Djidiu) como guardião da memória, transmissor de conhecimentos e agente de transformação social. O conceito de djidiundadi é convocado enquanto exercício contínuo de transmissão intergeracional de saberes; de ligação à dimensão ancestral presente nos rituais de transição de classes de idade, tanto por via da música, como da performance. O papel do artista enquanto entidade que incarna uma continuidade histórica, ligando o presente às raízes profundas da civilização africana e aos seus sistemas próprios de conhecimento, é uma das dimensões a ser projetada.

Durante o evento proceder-se-á à apresentação dos resultados da Residência Artística “Kaminhus di Arti” e ao lançamento do Catálogo da Bienal MoAC Biss 2025. O programa da sessão inclui ainda a apresentação do teaser e do programa da 2ª edição da Bienal 2027; a apresentação dos primeiros cabeças de cartaz já confirmados, e contará com a intervenção dos representantes da Comissão de Honra, da Coordenação e dos Curadores.


FUNDAÇÃO BIENAL MOAC BISS

Kaminhus di Arti – Memória, Produções e Movimento é uma residência artística multidisciplinar que assinala os 50 anos da independência dos PALOP com uma proposta crítica e criativa sobre os caminhos decoloniais já trilhados e os futuros possíveis.

A residência toma como ponto de partida a figura do Djidiu — símbolo de continuidade histórica, guardião da memória e mediador poético transgeneracional — como metáfora conceptual e metodológica para investigar as independências dos PALOP. Por duas edições de 3 semanas, convidamos 3 artistas consagrados e de referência internacional, praticantes transdisciplinares nas áreas da performance, música, som, vídeo, instalação e investigação artística situada, para coabitarem neste espaço de criação com 2 artistas locais emergentes (individuais ou colectivos). Cada artista é convidado, com as suas ferramentas e linguagens, a interagir com a herança Djidiu a nível formal, social e político.

Em termos metodológicos, a Residência proporciona um laboratório de criação e reflexão baseado na escuta ativa, práticas éticas de investigação artística, educação entre pares e mentoria intergeracional. Ancorada em práticas interativas comunitárias entre os artistas participantes e as gentes e locais definidos para a investigação, a residência visa a exploração da performatividade da memória histórica formal, a subjetividade da memória individual e a consciência do corpo enquanto veículos que produzem epistemologias alternativas e de resistência.

A curadoria conta com a direcção científica e artística de Welket Bungué, Rita de Matos e Bárbara Wahnon, em articulação com a Fundação Bienal MoAC Biss. O projecto enquadra-se no programa de preparação da Bienal de Bissau 2027, onde haverá uma mostra dos resultados, e conta com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

Estão previstas duas Mostras de Arte abertas ao público, com os registos dos processos criativos dos artistas participantes, a acontecer no último dia de cada edição — Maio de 2026 e Fevereiro de 2027, respectivamente.

O trabalho de pesquisa e criação será acolhido por diferentes espaços culturais parceiros, em Bissau (Tiniguena, Espaço Camões, Espaço Ur-Gente, Centro Cultural Netos de Bandim) e fora de Bissau (Mediateca Abotcha, em Malafo).

Nesta 1ª Edição da Kaminhus di Arti – Memória, Produções e Movimento que ocorre entre Abril e Maio deste ano, contamos excepcionalmente com 6 artistas, pois selecionámos um duo de artistas emergentes de Bissau. Assim sendo, entre os participantes contamos com três artistas convidados de renome internacional, e três emergentes da Guiné-Bissau, sendo que, no total, quatro dos seis artistas são de nacionalidade guineense.

Eis os artistas participantes da 1ª Edição da Residência Artística KAMINHUS DI ART:

Melissa Rodrigues (Cabo Verde, Portugal)
Melissa Rodrigues é uma artista visual, curadora, performer, programadora, arte-educadora e investigadora luso-cabo-verdiana, nascida na cidade da Praia em 1985 e com base de vida em Portugal. Formada em Antropologia e em Performance Art, a sua obra e pesquisa centram-se nas áreas da performance e cultura visual, com um foco específico na imagem e representação do corpo negro e das subjetividades negras afrodiaspóricas. Colabora com artistas, espaços independentes e instituições culturais na criação e concepção de projetos de artes visuais e performativas. É co-fundadora da UNA – União Negra das Artes.

Kimi Djabaté (Guiné-Bissau, Portugal)
Kimi Djabaté é um músico multi-instrumentista (guitarra, percussão, balafon) e djidiu (griot), considerado um dos talentos mais excepcionais de África.  Nascido em 1975 na tabanca de Tabató, no Leste da Guiné-Bissau, no seio de uma família de griots, é conhecido pela sua sonoridade única. As suas canções abordam temáticas sociais e humanas como a liberdade, a justiça social, os direitos das mulheres e das crianças, o combate à pobreza ou a importância da educação. Atualmente baseado em Lisboa, Djabaté já colaborou com artistas como Mory Kanté, Waldemar Bastos, Netos de Gumbé e mais recentemente com a estrela pop Madonna no single “Ciao Bella”.

António Tavares (Cabo Verde)
António Tavares é coreógrafo, bailarino, investigador, músico, desenhador e agitador cultural. Considerado uma das figuras-chave na história da dança contemporânea, defende que a dança, mais do que performance artística, é filosofia, política e utopia. Como bailarino do Grupo Mindel Stars, fez a sua primeira digressão internacional em 1986, atuou na Holanda, Senegal, França e Macau. Trabalhou com vários coreógrafos portugueses, desenvolveu o seu próprio trabalho seguindo uma linha de criação afro-contemporânea. Já partilhou palcos com criadores como Pina Bausch, Bebe Miller entre outros. Tem a seu cargo a direção artística do Centro Cultural do Mindelo e do espaço Bombu Mininu, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde.

Quimenaghalo Catinimbo (Guiné-Bissau)
Quimenaghalo Catinimbo (28) é natural de Caiomete, na região de Cacheu, é artesã de têxteis e artista visual. Catinimbo constrói o seu percurso entre a formação como educadora, e a prática do artesanato, à qual se dedica desde 2020. O seu trabalho manual nasce do encontro entre criatividade, identidade e valorização dos saberes culturais da sua terra, afirmando o fazer artesanal como gesto de preservação, aprendizagem e expressão comunitária.

Ismael Gomes Cassamá & Idumo Ricardo Lopes da Costa (Guiné-Bissau)
Ismael Gomes Cassamá (23 anos)  e Idumo Ricardo Lopes da Costa (24 anos) formam um duo artístico guineense cuja criação atravessa corpo, palavra e imagem. Formados pelo Ur-GENTE — Centro de Artes Cénicas Transdisciplinar de Bissau, apresentaram trabalhos no Festival Internacional de Teatro em Bissau, na Mostra Transborda em Almada (Portugal) e em Cassamance (Senegal). Idumo Ricardo foi distinguido em segundo lugar num concurso de artes plásticas financiado pela União Europeia.

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A Equipa do Projeto KAMINHUS DI ARTI