

Kaminhus di Arti – Memória, Produções e Movimento é uma residência artística multidisciplinar que assinala os 50 anos da independência dos PALOP com uma proposta crítica e criativa sobre os caminhos decoloniais já trilhados e os futuros possíveis.
A residência toma como ponto de partida a figura do Djidiu — símbolo de continuidade histórica, guardião da memória e mediador poético transgeneracional — como metáfora conceptual e metodológica para investigar as independências dos PALOP. Por duas edições de 3 semanas, convidamos 3 artistas consagrados e de referência internacional, praticantes transdisciplinares nas áreas da performance, música, som, vídeo, instalação e investigação artística situada, para coabitarem neste espaço de criação com 2 artistas locais emergentes (individuais ou colectivos). Cada artista é convidado, com as suas ferramentas e linguagens, a interagir com a herança Djidiu a nível formal, social e político.
Em termos metodológicos, a Residência proporciona um laboratório de criação e reflexão baseado na escuta ativa, práticas éticas de investigação artística, educação entre pares e mentoria intergeracional. Ancorada em práticas interativas comunitárias entre os artistas participantes e as gentes e locais definidos para a investigação, a residência visa a exploração da performatividade da memória histórica formal, a subjetividade da memória individual e a consciência do corpo enquanto veículos que produzem epistemologias alternativas e de resistência.
A curadoria conta com a direcção científica e artística de Welket Bungué, Rita de Matos e Bárbara Wahnon, em articulação com a Fundação Bienal MoAC Biss. O projecto enquadra-se no programa de preparação da Bienal de Bissau 2027, onde haverá uma mostra dos resultados, e conta com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Estão previstas duas Mostras de Arte abertas ao público, com os registos dos processos criativos dos artistas participantes, a acontecer no último dia de cada edição — Maio de 2026 e Fevereiro de 2027, respectivamente.
O trabalho de pesquisa e criação será acolhido por diferentes espaços culturais parceiros, em Bissau (Tiniguena, Espaço Camões, Espaço Ur-Gente, Centro Cultural Netos de Bandim) e fora de Bissau (Mediateca Abotcha, em Malafo).
Nesta 1ª Edição da Kaminhus di Arti – Memória, Produções e Movimento que ocorre entre Abril e Maio deste ano, contamos excepcionalmente com 6 artistas, pois selecionámos um duo de artistas emergentes de Bissau. Assim sendo, entre os participantes contamos com três artistas convidados de renome internacional, e três emergentes da Guiné-Bissau, sendo que, no total, quatro dos seis artistas são de nacionalidade guineense.
Eis os artistas participantes da 1ª Edição da Residência Artística KAMINHUS DI ART:
Melissa Rodrigues (Cabo Verde, Portugal)
Melissa Rodrigues é uma artista visual, curadora, performer, programadora, arte-educadora e investigadora luso-cabo-verdiana, nascida na cidade da Praia em 1985 e com base de vida em Portugal. Formada em Antropologia e em Performance Art, a sua obra e pesquisa centram-se nas áreas da performance e cultura visual, com um foco específico na imagem e representação do corpo negro e das subjetividades negras afrodiaspóricas. Colabora com artistas, espaços independentes e instituições culturais na criação e concepção de projetos de artes visuais e performativas. É co-fundadora da UNA – União Negra das Artes.
Kimi Djabaté (Guiné-Bissau, Portugal)
Kimi Djabaté é um músico multi-instrumentista (guitarra, percussão, balafon) e djidiu (griot), considerado um dos talentos mais excepcionais de África. Nascido em 1975 na tabanca de Tabató, no Leste da Guiné-Bissau, no seio de uma família de griots, é conhecido pela sua sonoridade única. As suas canções abordam temáticas sociais e humanas como a liberdade, a justiça social, os direitos das mulheres e das crianças, o combate à pobreza ou a importância da educação. Atualmente baseado em Lisboa, Djabaté já colaborou com artistas como Mory Kanté, Waldemar Bastos, Netos de Gumbé e mais recentemente com a estrela pop Madonna no single “Ciao Bella”.
António Tavares (Cabo Verde)
António Tavares é coreógrafo, bailarino, investigador, músico, desenhador e agitador cultural. Considerado uma das figuras-chave na história da dança contemporânea, defende que a dança, mais do que performance artística, é filosofia, política e utopia. Como bailarino do Grupo Mindel Stars, fez a sua primeira digressão internacional em 1986, atuou na Holanda, Senegal, França e Macau. Trabalhou com vários coreógrafos portugueses, desenvolveu o seu próprio trabalho seguindo uma linha de criação afro-contemporânea. Já partilhou palcos com criadores como Pina Bausch, Bebe Miller entre outros. Tem a seu cargo a direção artística do Centro Cultural do Mindelo e do espaço Bombu Mininu, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde.
Quimenaghalo Catinimbo (Guiné-Bissau)
Quimenaghalo Catinimbo (28) é natural de Caiomete, na região de Cacheu, é artesã de têxteis e artista visual. Catinimbo constrói o seu percurso entre a formação como educadora, e a prática do artesanato, à qual se dedica desde 2020. O seu trabalho manual nasce do encontro entre criatividade, identidade e valorização dos saberes culturais da sua terra, afirmando o fazer artesanal como gesto de preservação, aprendizagem e expressão comunitária.
Ismael Gomes Cassamá & Idumo Ricardo Lopes da Costa (Guiné-Bissau)
Ismael Gomes Cassamá (23 anos) e Idumo Ricardo Lopes da Costa (24 anos) formam um duo artístico guineense cuja criação atravessa corpo, palavra e imagem. Formados pelo Ur-GENTE — Centro de Artes Cénicas Transdisciplinar de Bissau, apresentaram trabalhos no Festival Internacional de Teatro em Bissau, na Mostra Transborda em Almada (Portugal) e em Cassamance (Senegal). Idumo Ricardo foi distinguido em segundo lugar num concurso de artes plásticas financiado pela União Europeia.
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A Equipa do Projeto KAMINHUS DI ARTI